Dificuldades na cedência de crédito preocupa empreendedores

Dificuldades na cedência de crédito preocupa empreendedores

A falta de facilitação na cedência de financiamento e a excessiva burocracia nos processos de candidaturas de crédito aos jovens constam das principais preocupações dos empreendedores da capital do país.

Em declarações à imprensa, a propósito a semana global de empreendedorismo em Angola, que decorre de 13 a 18 deste mês em todo país, os empreendedores defenderam a necessidade de serem revistas as taxas de juros da banca comercial, de modo a alinhar-se às políticas traçadas pelo Executivo, voltadas ao exercício desta actividade económica.

Cláudio Gomes, que empreende na área de educação e saúde, começou com recursos próprios a construção de um colégio em 2014, com seis salas de aulas, mas devido à crise financeira o projecto parou por não ter condições para continuar, pois recorreu há vários bancos, mas não obteve financiamento.

Para Cláudio Gomes, há uma mudança de paradigma, que começa com a desburocratização no processo de licenciamento das empresas, um passo positivo dado pelos organismos responsáveis por este processo, porque hoje é muito mais fácil organizar e licenciar uma empresa, facto que motiva a entrada de mais jovens na criação de empresas.

Por outro lado, defendeu a formação de empreendedores, um aspecto importante na consciencialização e modelagem do jovem que pretende desenvolver esta actividade económica que o Estado por via do Instituto Nacional de Apoio às Micros, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), instituição que ministra cursos gratuitos voltados ao empreendedorismo.

Realçou que o empreendedor pode ter empresa, formação, visão e um domínio profundo da área que pretende actuar, mas se não tiver a capacidade ou oportunidade de encontrar recursos financeiros para investir dificilmente consegue caminhar, “deitando por água baixo todo o processo que o Ministério da Economia tem estado a desenvolver”.

“É preciso olhar para estas questões com mais responsabilidade, porque maior parte da população angolana é jovem e com vida economicamente activa. A maior preocupação passa pela obtenção de financiamento, porque os bancos têm procedimentos muito rígidos e burocráticos também, o que dificulta o arranque porque se nenhum banco estar interessado no negócio o empreendedor fica limitado”, disse.

Já o empreendedor Quimbango António, que actua no ramo de tecnologias de informação, disse que tudo começou pela necessidade de dar respostas aos problemas enfrentados pela sociedade.

Após a conclusão da formação, Quimgango António juntou-se a um outro colega, para com as suas ideias elaborarem um projecto de negócio, mas não conseguiram obter financiamento através da banca.

Ao não conseguirem obter o desejado financiamento, decidiram trabalhar por conta de outrem e juntar dinheiro para depois criarem a empresa “Kiquim Immanent”.

Pretendem fazer desta empresa no principal vendedor de material informático online, oferecendo uma selecção incomparável, envio rápido e atendimento aos clientes que precisam comprar produtos sem sair de casa.

“Temos tido muitas dificuldades, mas isso dá-nos força de continuar, porque quanto maior for a dificuldade, maior é o empenho e a força de trabalhar. É importante que os bancos possam rever as taxas de juros, por serem muito altas, por isso não recorremos a empréstimos bancários”, disse.

Acrescentou que precisam realmente de financiamento bancário e do apoio directo das instituições criadas pelo executivo para apoiar os empreendedores.

Por seu turno, Diamantino da Silva, que empreende na área de climatização, prestando serviços de manutenção e montagem de ar condicionado, salienta existir muitas dificuldades para os empreendedores, porque muitos apresentam projectos sustentáveis, mas ainda assim os bancos não financiam.

Diamantino da Silva realça a existência de negócios que os jovens podem começar, com orçamentos pequenos para que possam arrancar com a acção de empreendedor e depois assumir novos desafios.

Apelou aos jovens a começarem com pequeno negócio, coisas simples e separar os custos pessoais e organizacionais para permitir o crescimento do negócio.

Fonte: ANGOP

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